MUDANDO A FORMA DE PENSAR NO CONSUMIDOR

HGA VAREJO Suporte 2026-03-11 17:40:31

Mudando a Forma de Pensar no Consumidor

A popularização da tirzepatida e de outros análogos de GLP-1 está redesenhando o carrinho de compras do brasileiro. O impacto nos supermercados é estrutural e afeta desde o volume de vendas até o mix de produtos oferecidos. [1]

Esse movimento já começa a alterar padrões de consumo e exige que o varejo entenda rapidamente essas mudanças para se adaptar ao novo comportamento do consumidor.


1. Mudança no Mix de Produtos

Saem carboidratos, entram proteínas

Varejistas brasileiros observam uma mudança qualitativa nas compras dos consumidores.

Queda nos carboidratos

Itens básicos como arroz, macarrão e farinhas apresentam sinais de enfraquecimento na demanda.

Ação:
Incluir no mix farinhas e arroz sem glúten.


Alta em proteínas e fibras

Para evitar a perda de massa magra (sarcopenia), usuários desses medicamentos passam a priorizar alimentos ricos em proteína, como:

  • Carnes

  • Ovos

  • Iogurtes proteicos

Ação:

  • Melhorar o mix de produtos proteicos

  • Priorizar opções zero lactose e sem açúcares

  • Oferecer mix de ovos de melhor qualidade

  • Elaborar opções de carnes com porções adequadas

  • Indicar quantidade de proteína por porção


Consumo de alimentos frescos e saudáveis

Também há aumento na compra de alimentos naturais.

  • Frutas: crescimento de até 14%

  • Vegetais: crescimento de até 38%

Esses números aparecem principalmente em famílias que utilizam o medicamento.

Ação:

  • Valorizar a qualidade de frutas, verduras e legumes

  • Manter opções de frutas em porções adequadas ao consumo diário


2. Redução do Volume Total e dos Gastos

O efeito de saciedade prolongada impacta diretamente o faturamento das gôndolas alimentares.

Menos itens no carrinho

Estudos indicam que residências com pelo menos um usuário de GLP-1 gastam, em média:

de 6% a 9% menos em supermercados.


Fim das compras por impulso

O medicamento atua no sistema de recompensa do cérebro, reduzindo:

  • Desejo por “beliscos”

  • Compras não planejadas

Isso diminui o consumo impulsivo e altera o padrão tradicional de compras.


3. Categorias Mais Afetadas (Perdedores)

Produtos ultraprocessados e de alta densidade calórica apresentam as maiores quedas de vendas.

Snacks e doces

Algumas categorias já mostram retração significativa:

  • Salgadinhos (chips): queda de até 11%

  • Itens de confeitaria: queda de até 9%


Bebidas

Também ocorre redução no consumo de:

  • Refrigerantes

  • Bebidas alcoólicas

Isso acontece devido à alteração no paladar e à busca por escolhas mais saudáveis. [6, 7, 10]


4. Adaptação Estratégica das Redes

Para preservar margens e competitividade, supermercados começam a ajustar suas estratégias.

Porções fracionadas

Há aumento na oferta de:

  • Meias porções

  • Embalagens menores

Isso ocorre porque o consumo individual por refeição diminui drasticamente.


Foco em nutrição

Outra estratégia é a expansão de categorias como:

  • Suplementos alimentares

  • Alimentos funcionais

Esses produtos ajudam no suporte nutricional durante o tratamento.


Um novo cenário para o varejo

O volume de vendas está perdendo espaço para a rentabilidade individual.

Essa adaptação dependerá de:

  • Uma análise profunda do perfil do cliente atendido

  • Da adequação do mix de produtos

  • Da linguagem utilizada para comunicar as opções aos consumidores

Outro ponto fundamental é a capacidade do departamento comercial em compreender esse novo mercado e transformar negociações com fornecedores em verdadeiras fontes de recursos, capazes de atender às novas demandas, agregar valor ao mix e gerar maior rentabilidade.